ApexBrasil anuncia estratégia voltada a cerca de 5.400 empresas afetadas pelas novas tarifas americanas e aposta na diversificação para reduzir perdas no comércio exterior
A pressão provocada pelo aumento das tarifas impostas pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros deve levar o país a acelerar uma estratégia de diversificação de mercados. Na próxima terça-feira (11), a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil) apresentará, em São Paulo, o Plano de Diversificação de Exportações, iniciativa criada para apoiar empresas e setores atingidos pelas novas barreiras comerciais.
O plano deverá ampliar o atendimento da agência para alcançar aproximadamente 5.400 empresas brasileiras impactadas pelo aumento tarifário, combinando ações de inteligência comercial, identificação de novos mercados e estratégias para redirecionar exportações.
A apresentação ocorre em um momento de maior pressão sobre o comércio bilateral entre Brasil e Estados Unidos. Segundo dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), as exportações brasileiras para o mercado norte-americano somaram US$ 40,4 bilhões em 2024, recuaram para US$ 37,7 bilhões em 2025 e chegaram a US$ 17,4 bilhões no primeiro semestre de 2026, queda de 13% em relação ao mesmo período do ano anterior.

Diversificar para reduzir a dependência
A proposta da ApexBrasil parte de uma preocupação direta: diminuir a exposição das empresas brasileiras às oscilações provocadas pelas decisões comerciais de Washington.
Em vez de concentrar esforços exclusivamente na recuperação das vendas para os Estados Unidos, a estratégia prevê ampliar a presença de produtos brasileiros em outros destinos internacionais. A inteligência comercial terá papel central nesse processo, identificando oportunidades, mercados com maior potencial de consumo e setores capazes de absorver parte da produção que enfrenta dificuldades no mercado americano.
O movimento ganha importância diante da dimensão das novas medidas tarifárias. De acordo com o MDIC, cerca de 23,1% das exportações brasileiras destinadas aos Estados Unidos estão sujeitas a novas sobretaxas, enquanto 52,7% permanecem fora das tarifas adicionais analisadas no levantamento.
Em determinados produtos, as sobretaxas podem chegar a uma incidência acumulada de 37,5%, atingindo segmentos como máquinas e equipamentos, madeira, gorduras e óleos, calçados, móveis e confecções.
Plano será apresentado ao setor produtivo
Antes da coletiva de imprensa, o presidente da ApexBrasil, Laudemir Müller, deverá apresentar os detalhes do plano a representantes do governo e a lideranças dos principais setores produtivos.
A reunião será realizada na manhã de terça-feira, com um momento reservado para que profissionais de imprensa credenciados possam registrar imagens do encontro.
Na sequência, às 12h, acontece uma coletiva de imprensa técnica, com a participação de Laudemir Müller e da diretora de Negócios da ApexBrasil, Maria Paula Velloso. A expectativa é que sejam detalhadas as medidas de apoio, os mecanismos de inteligência comercial e a forma como a agência pretende ampliar o suporte às empresas afetadas.
A iniciativa se soma a outras medidas adotadas pelo governo federal para tentar reduzir os impactos da instabilidade comercial. O Plano Brasil Soberano, por exemplo, foi ampliado em julho e passou a contemplar também exportadores e fornecedores de setores como agricultura, pecuária, florestas plantadas, pesca, aquicultura e recursos minerais, além dos segmentos industriais já contemplados.
Um desafio que vai além das tarifas
O impacto das medidas americanas não se limita ao custo adicional de entrada dos produtos brasileiros. Para empresas que dependem fortemente do mercado dos Estados Unidos, a mudança pode significar perda de competitividade, redução de pedidos e necessidade de reorganizar cadeias de produção e distribuição.
Os números mais recentes reforçam esse cenário. No primeiro semestre de 2026, a participação dos Estados Unidos nas exportações brasileiras caiu de 12,1% para 9,4% na comparação com o mesmo período de 2025.
É nesse ponto que a diversificação ganha caráter estratégico. Encontrar novos compradores, estabelecer relações comerciais em diferentes regiões e reduzir a concentração das vendas em um único mercado pode representar não apenas uma resposta emergencial ao tarifaço, mas uma mudança estrutural na estratégia de internacionalização das empresas brasileiras.
Para os exportadores, portanto, o desafio agora é transformar uma dificuldade comercial em oportunidade de expansão. A capacidade de encontrar novos destinos poderá determinar quais empresas conseguirão preservar mercados, manter produção e continuar crescendo mesmo diante de um cenário internacional mais instável.
Fonte: informações divulgadas pela ApexBrasil e dados oficiais do MDIC.
Por Alexsandro Assis


