Atriz morreu nesta terça-feira (18), no Rio de Janeiro; com mais de seis décadas de carreira, ela deixou personagens que atravessaram gerações e ajudaram a construir a história da televisão brasileira
A dramaturgia brasileira perdeu nesta terça-feira (18) uma de suas figuras mais importantes. Glória Menezes morreu aos 91 anos, no Rio de Janeiro, encerrando uma trajetória artística de mais de seis décadas dedicada ao teatro, ao cinema e, principalmente, à televisão. A informação foi confirmada pela família e pela assessoria da atriz. Segundo familiares, ela morreu em casa, na capital fluminense.
A notícia marca mais um dia de luto para a cultura brasileira e fecha um capítulo de uma carreira que atravessou diferentes fases da televisão nacional. Glória esteve presente em produções que se tornaram referências da teledramaturgia e construiu uma trajetória marcada pela versatilidade, pela longevidade e pela capacidade de dar identidade a personagens muito diferentes entre si.
Uma carreira que se confunde com a história da TV brasileira

Nascida em Pelotas, no Rio Grande do Sul, Glória Menezes iniciou sua formação artística ainda jovem. Seu primeiro trabalho profissional no teatro veio no fim dos anos 1950, período em que também começou a atuar na televisão.
Em 1963, ela protagonizou, ao lado de Tarcísio Meira, “2-5499 Ocupado”, considerada a primeira telenovela diária da televisão brasileira. A parceria profissional entre os dois se transformaria também em uma das histórias de amor mais conhecidas dos bastidores da televisão.
Glória e Tarcísio Meira permaneceram juntos por quase seis décadas. O ator morreu em 2021, aos 85 anos. Do casamento nasceu Tarcísio Filho.
Personagens que ficaram na memória do público
Ao longo da carreira, Glória Menezes passou por diferentes gêneros e personagens. Atuou em novelas como “Irmãos Coragem”, “Rainha da Sucata”, “Torre de Babel”, “Senhora do Destino”, “Páginas da Vida” e “A Favorita”, além de diversas outras produções.
Em “Irmãos Coragem”, chegou a interpretar três personagens diferentes. Já em “Rainha da Sucata”, viveu Laurinha Figueroa, personagem que evidenciou sua força também na comédia. Em “Senhora do Destino”, participou de uma das novelas de maior repercussão da televisão brasileira, enquanto em “A Favorita” voltou a mostrar a experiência acumulada em décadas de televisão.
Sua última novela foi “Totalmente Demais”, exibida entre 2015 e 2016, na qual interpretou Stelinha, mãe do personagem Arthur, vivido por Fábio Assunção. Depois disso, reduziu significativamente suas aparições na televisão.
Mas a televisão nunca foi seu único palco. Glória também construiu uma trajetória importante no cinema e no teatro. Entre seus trabalhos cinematográficos está “O Pagador de Promessas”, filme de 1962 que conquistou a Palma de Ouro no Festival de Cannes.
Uma geração de grandes atrizes se despede
A morte de Glória Menezes acontece em um momento especialmente doloroso para a dramaturgia brasileira. A atriz morreu apenas um dia depois de Laura Cardoso, outra referência histórica da televisão, que também faleceu aos 98 anos.
As duas trabalharam juntas em diferentes momentos, incluindo produções como “Um Lugar ao Sol”, “Rainha da Sucata” e “Senhora do Destino”.
A atriz Nathália Timberg, companheira de profissão e amiga de longa data, também se manifestou sobre a perda. Em uma homenagem publicada nas redes sociais, lamentou a partida de Glória e Laura, destacando a proximidade que manteve com as duas ao longo de sua trajetória artística.
Um legado que permanece
Glória Menezes deixa três filhos e uma história que ultrapassa os créditos das novelas. Sua carreira acompanhou a transformação da televisão brasileira desde os primeiros anos das telenovelas diárias até a era das grandes produções nacionais.
Em 2025, a atriz recebeu uma homenagem na série documental “Tributo”, do Globoplay, que revisitou sua vida e sua trajetória profissional.
Mais do que uma estrela de televisão, Glória Menezes foi parte da memória afetiva de milhões de brasileiros. Seus personagens, suas escolhas profissionais e sua presença em diferentes momentos da cultura nacional ajudaram a formar uma tradição artística que continua influenciando novas gerações.
A televisão perde uma de suas grandes intérpretes. O público, porém, permanece com aquilo que nenhuma despedida consegue apagar: as histórias, os personagens e as emoções que Glória Menezes deixou para sempre na memória do Brasil.
Por Alexsandro Assis

