Levantamento da Prefeitura aponta mais de 900 mil atendimentos de pessoas entre 60 e 89 anos; programa oferece produtos essenciais com descontos que chegam a 50% para moradores inscritos no CadÚnico

São Paulo — Mais de 900 mil atendimentos de pessoas com idade entre 60 e 89 anos foram registrados nos Armazéns Solidários da Prefeitura de São Paulo em pouco mais de dois anos. O número representa 46,2% dos 1.967.440 atendimentos analisados e revela o peso da população idosa entre os usuários da iniciativa, voltada a moradores inscritos no Cadastro Único para Programas Sociais (CadÚnico).

Os dados foram reunidos pela Secretaria Executiva de Segurança Alimentar e Nutricional e de Abastecimento (SESANA), considerando registros realizados entre 8 de agosto de 2024 e 15 de setembro de 2026. O levantamento mostra que o programa se tornou uma alternativa importante para famílias de baixa renda que buscam reduzir o impacto das compras de alimentos, produtos de higiene e outros itens essenciais no orçamento doméstico.

Faixa etária revela forte presença de idosos

Dentro do levantamento, 523.876 pessoas tinham entre 60 e 69 anos, correspondendo a aproximadamente 27% do total. Outros 330.749 atendimentos foram de pessoas entre 70 e 79 anos, enquanto 55.264 estavam na faixa dos 80 aos 89 anos. Somadas, essas três faixas chegam a mais de 900 mil registros.

O grupo de pessoas entre 40 e 59 anos representou 33% dos atendimentos, com 644.819 registros. Já os adultos de 20 a 39 anos responderam por pouco mais de 16% da série analisada. Em 4,84% dos registros, a idade não foi informada.

A própria Prefeitura destaca que os números são referentes a atendimentos registrados, e não necessariamente a indivíduos únicos. Essa diferença é importante porque uma mesma pessoa pode utilizar o serviço mais de uma vez durante o período analisado.

Desconto pode aliviar orçamento de aposentados

Para a SESANA, a expressiva participação dos idosos ajuda a evidenciar uma das funções do programa: ampliar o poder de compra de moradores de baixa renda.

Os Armazéns Solidários trabalham com produtos alimentícios, hortifrutis, itens de higiene, limpeza, cuidados pessoais e produtos para animais de estimação. Os descontos podem chegar a 50% em relação aos preços praticados no varejo convencional, de acordo com a Prefeitura.

O secretário-executivo de Segurança Alimentar e Nutricional e de Abastecimento, Vitor Arruda, afirma que a economia obtida nas compras pode permitir que parte da renda seja direcionada para outras despesas essenciais.

“Durante minhas visitas, conversei com muitos idosos fazendo compras sozinhos ou acompanhados pelos netos”, afirmou Arruda, ao destacar situações em que aposentados precisam dividir a renda entre alimentação, medicamentos, moradia e outras necessidades.

Segundo o secretário, a política procura combinar acessibilidade financeira e territorial, com unidades instaladas principalmente em regiões periféricas e áreas com grande concentração de famílias inscritas no CadÚnico.

Mulheres são maioria entre os atendimentos

O levantamento também apresenta um recorte de gênero. As mulheres representam 72,6% dos atendimentos, enquanto os homens correspondem a 24,2%. Uma parcela restante não teve a informação registrada.

No recorte racial autodeclarado apresentado pela Prefeitura, pessoas pardas representam 44,2%, seguidas pelas pessoas brancas, com 41,6%, e negras, com 10,6%.

Os números ajudam a traçar o perfil do público que procura a iniciativa e mostram que os Armazéns Solidários atendem diferentes grupos dentro da população cadastrada em programas sociais.

Rede chegou à oitava unidade

O programa, iniciado em janeiro de 2024, ganhou em agosto uma nova unidade no Grajaú, na Zona Sul da capital. O endereço foi escolhido em uma região que concentra grande número de famílias inscritas no CadÚnico.

A unidade do Grajaú foi inaugurada em 27 de agosto de 2026, na Rua Olímpio Soares de Carvalho, e passou a oferecer cerca de 600 itens com descontos de até 50%. A loja tem capacidade para aproximadamente 700 atendimentos por dia.

Poucos dias depois da inauguração, o desempenho da unidade chamou atenção. Entre 27 de agosto e 5 de setembro, o Armazém Solidário Grajaú registrou 5.533 atendimentos, comercializou 115 toneladas de alimentos e vendeu 132.264 itens.

A expansão ocorre em um momento de crescimento da procura pela rede. Segundo balanço divulgado pela Prefeitura, as oito unidades registraram 111.560 atendimentos em agosto de 2026, o maior número do ano até então.

Novo endereço e expansão prevista

A Prefeitura informa que uma nova unidade está prevista para funcionar no Complexo Novo Brasil ainda em 2026. Além disso, o planejamento municipal prevê outras sete unidades até 2028.

Atualmente, os Armazéns Solidários estão distribuídos por diferentes regiões da capital, incluindo unidades em São Miguel Paulista, Guaianases, Cidade Tiradentes, Jaraguá, City Jaraguá, Brasilândia, M’Boi Mirim e Grajaú.

Para ter acesso às compras, é necessário estar com o CadÚnico ativo. As unidades também contam com atendimento de assistentes sociais para orientar moradores sobre o cadastro e sua regularização.

Segurança alimentar além dos Armazéns

Os Armazéns Solidários fazem parte de uma estrutura mais ampla de políticas de segurança alimentar mantida pela Prefeitura de São Paulo.

Em dezembro de 2025, São Paulo recebeu do Guinness World Records o reconhecimento pelo maior programa municipal público de segurança alimentar, após uma operação que movimentou 933,82 toneladas de alimentos em 24 horas.

Dentro desse cenário, os Armazéns representam uma frente diferente: em vez da distribuição gratuita, oferecem produtos essenciais a preços reduzidos para famílias de baixa renda cadastradas no CadÚnico.

O crescimento da rede e a presença expressiva de idosos mostram, assim, que o debate sobre segurança alimentar também passa pela capacidade de uma pessoa comprar sua própria comida com dignidade e preservar parte da renda para outras necessidades.

Por Alexsandro Assis

By contato@gazetametropolitano.com

Nascido em 1977, em Jundiaí, e cresceu em Cajamar, Alexsandro Assis é capelão, mentor e marceneiro com alma artesã. Formado em marcenaria, lecionou o oficio em Cajamar e, movido pela paixão por história e fé cristã, estuda arqueologia bíblica e teologia. Professor de computação e estudante de Tecnologia da Informação, também é jornalista, fundador do grupo Cajamar Quociente e do portal Gazeta Metropolitana, onde aborda notícias regionais e globais com perspectiva conservadora. Guiado por fé, estoicismo e amor transformador, Alexsandro inspira vidas com seu lema "Viva com propósito". Acompanhe-o no Instagram (@assis_alexsandro) ou em gazetametropolitana.com.

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