Campanha nacional e ações locais em Cajamar reforçam o diagnóstico precoce da hanseníase, doença que ainda registra cerca de 22 mil novos casos por ano no Brasil, mas tem cura e tratamento gratuito pelo SUS.
Janeiro é o mês em que o Brasil se veste de roxo para romper o silêncio em torno de uma doença que, apesar de milenar, ainda carrega estigmas e diagnósticos tardios: a hanseníase. A campanha Janeiro Roxo, promovida pelo Ministério da Saúde e abraçada por municípios como Cajamar, alerta a população para os sinais da doença, combate o preconceito e destaca que, com tratamento precoce, a hanseníase tem cura e pode ser interrompida antes de causar sequelas irreversíveis.

No país, a hanseníase continua sendo um desafio de saúde pública. Em 2024, o Brasil registrou 22.129 novos casos, segundo dados do Ministério da Saúde — o segundo maior número mundial, atrás apenas da Índia. Apesar da queda em relação a anos anteriores, a transmissão ativa persiste, especialmente em regiões de maior vulnerabilidade social. O diagnóstico tardio ainda é comum: cerca de 11% dos casos chegam ao sistema de saúde com incapacidade física grau 2, que inclui deformidades visíveis e permanentes.
A doença, causada pela bactéria Mycobacterium leprae, afeta principalmente a pele e os nervos periféricos. Os sintomas mais comuns incluem manchas claras, avermelhadas ou amarronzadas na pele com perda de sensibilidade ao toque, calor ou dor; formigamentos, dormências ou fraqueza nos braços e pernas; caroços ou inchaços no corpo; e, em casos avançados, lesões nos nervos que podem levar a incapacidades físicas.
“O diagnóstico precoce é a chave para evitar sequelas e quebrar a cadeia de transmissão”, explica a Secretaria de Saúde de Cajamar. Durante todo o mês, a pasta realiza ações educativas em unidades básicas de saúde, com palestras, distribuição de materiais informativos e orientação direta à população. Qualquer pessoa que note manchas suspeitas ou alterações de sensibilidade é incentivada a procurar atendimento imediato — o tratamento é gratuito, oferecido pelo SUS e geralmente dura de seis meses a um ano, dependendo da forma da doença.
Em Cajamar, as equipes de saúde reforçam que a hanseníase não é uma doença do passado nem uma “maldição”, como ainda acreditam alguns. “Muitas pessoas demoram a buscar ajuda por medo do preconceito ou por desconhecer os sintomas. Nossa missão é mostrar que, com informação e acesso rápido, a cura é possível e sem sequelas”, afirma um profissional da vigilância epidemiológica local.
A campanha ganha ainda mais força no dia 28 de janeiro, quando se comemora o Dia Mundial de Enfrentamento à Hanseníase. A mensagem é clara: a informação salva vidas. Quanto mais cedo a doença for detectada, maiores as chances de cura completa e de impedir que ela se espalhe. Em um país onde milhares ainda convivem com o medo e o isolamento social causados pela hanseníase, o roxo de janeiro representa esperança, inclusão e compromisso coletivo com a saúde.
Por Alexsandro Assis
