Entidade de direitos humanos classifica megaoperação policial como massacre premeditado, cobra punição e intervenção urgente do STF contra violência sistemática nas favelas

Rio de Janeiro, 1º de novembro de 2025 – Em uma nota contundente divulgada nesta sexta-feira, o Instituto Vladimir Herzog (IVH) repudiou a ação policial conjunta da Polícia Civil e Militar do Rio de Janeiro realizada em 28 de outubro nos complexos da Penha e do Alemão, na Zona Norte, classificando-a não como “operação”, mas como chacina – o quinto massacre policial no estado em apenas quatro anos.
O episódio, batizado pelas autoridades como “Operação Contenção” e direcionado contra o Comando Vermelho (CV), deixou um rastro de sangue: 117 civis e 4 policiais mortos, segundo balanço oficial atualizado nesta sexta-feira pelo governo fluminense. O IVH estima pelo menos 130 vítimas civis e alerta que o número tende a crescer, transformando o caso no mais letal da história recente do Brasil.

“Não é tragédia, é escolha política”
“Essa ação resultou em mais um capítulo do genocídio do povo pobre, promovido pela violência de Estado“, afirma a nota do IVH, que expressa solidariedade às famílias das vítimas e denuncia a interrupção brutal da vida cotidiana nas favelas: escolas fechadas, saúde suspensa e comunidades mergulhadas em trauma.
A entidade aponta o dedo para décadas de racismo estrutural e uma política de (in)segurança que “transforma territórios populares em campos de guerra e corpos negros e periféricos em alvos”. Longe de ser um acidente, o IVH classifica o evento como escolha política sustentada pela naturalização da morte.
STF entra em cena: Moraes cobra explicações
Em resposta ao caos, o Supremo Tribunal Federal (STF) reagiu rapidamente. O ministro Alexandre de Moraes, que assumiu temporariamente a relatoria da ADPF 635 (ADPF das Favelas), determinou que o governador Cláudio Castro e os comandos das polícias presteem esclarecimentos detalhados sobre a operação. A decisão reforça parâmetros constitucionais para uso da força, como planejamento prévio, transparência e investigações autônomas – regras sistematicamente ignoradas, segundo o IVH.

O instituto se une a organizações como amicus curiae na ação e exige perícias forenses independentes, criticando a “disputa política sobre corpos” travada pelo governo estadual.
Rejeição à GLO e alerta ao ‘narcoterrorismo’
O IVH também se posiciona contra o uso da Garantia da Lei e da Ordem (GLO), defendida por setores bolsonaristas e até pelo próprio governo fluminense em tom irônico. “Essa medida reforça a lógica do ‘inimigo interno’ e legitima o extermínio de populações negras, periféricas e indígenas”, alerta a nota, destacando o desperdício de recursos e a confusão entre Defesa e Segurança Pública.
Outro alvo: o termo “narcoterrorismo”, usado pelo governo e pela mídia para justificar a carnificina. Para o IVH, é uma rotulação xenofóbica que criminaliza comunidades inteiras.
Nas ruas, a revolta explode. Moradores protestaram com faixas como “150 Mortos – Basta de Guerra!” e atos como o “Chega de Massacre”, com mais de mil motos no Alemão rumo ao Palácio Guanabara.
Rumo à justiça?
O governo do RJ divulgou lista parcial de 99 identificados entre os mortos – 78 com ficha criminal e 42 com mandados em aberto –, mas o debate segue acirrado: apoio popular à ação em pesquisas (80% em favelas, segundo BBC), versus clamor por direitos humanos.
O IVH clama por uma revisão profunda das políticas de segurança, priorizando dignidade e vida sobre violência. “Reafirmamos nosso compromisso com memória, verdade e justiça”, conclui a entidade. Resta saber se o STF e o Estado ouvirão – ou se mais sangue colorirá os morros cariocas.
Por Redação do GazetaMetropolitana.com

E esquerda maldita sempre falando mentiras e dando voz ao crime. Servir ao diabo é assim mesmo.