São Paulo, 9 de fevereiro de 2026 – Uma operação batizada com ironia cruel desmontou, nesta segunda-feira, uma rede que comercializava meninas de 10, 12 e 14 anos como se fossem mercadoria de luxo. Um piloto de 60 anos foi preso dentro do próprio avião em Congonhas. A mulher de 55 anos que entregava as netas em troca de dinheiro também está atrás das grades.
Equipes da 4ª Delegacia de Repressão à Pedofilia do DHPP cumpriram oito mandados de busca e dois de prisão temporária na capital e em Guararema. Ao todo, 32 policiais e 14 viaturas participaram da ação. Até o fechamento desta reportagem, duas prisões já haviam sido efetuadas.

O inquérito começou em outubro de 2025 e já identificou três vítimas diretas, hoje com 11, 12 e 15 anos. Todas foram submetidas a abusos sistemáticos. A polícia descreve uma estrutura organizada, com divisão de tarefas, habitualidade e indícios claros de que o esquema funcionava há pelo menos oito anos.
Os crimes apurados são graves: estupro de vulnerável, estupro, favorecimento da prostituição, exploração sexual de criança e adolescente, produção e compartilhamento de pornografia infanto-juvenil, uso de documento falso, stalking, aliciamento e coação de vítimas. O material digital apreendido é considerado “robusto” pela Justiça, que autorizou as medidas exatamente por causa do risco concreto de destruição de provas e de continuidade dos abusos.
“Não estamos diante de casos isolados. Há uma rede estruturada, com papéis definidos e atuação coordenada”, afirmou o delegado responsável, que não quis se identificar por questões de segurança da investigação.
A operação recebeu o nome “Apertem os Cintos” como alerta simbólico: o piloto, que usava o avião para deslocamentos e encontros, foi detido no próprio cockpit. A ironia não passou despercebida pelos investigadores.
A Polícia Civil informou que a prioridade agora é proteger as vítimas, identificar outros envolvidos e localizar possíveis novas crianças exploradas. “Novas prisões não estão descartadas”, disse a corporação em nota.
O caso expõe, mais uma vez, a crueldade de uma indústria que transforma crianças em produtos e famílias em cúmplices. Enquanto o país discute medidas de combate à pedofilia online, esta operação mostra que o horror também acontece em terra firme – e, às vezes, a poucos metros de um terminal de aeroporto movimentado.
Por Alexsandro Assis

