Investigação revela mensagens sobre pagamentos e venda de resort, intensificando debates sobre imparcialidade no Supremo e impactos na credibilidade institucional

A Polícia Federal (PF) entregou ao Supremo Tribunal Federal (STF) um relatório detalhado extraído do celular do banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, contendo menções ao ministro Dias Toffoli, relator do inquérito sobre supostas fraudes bilionárias no banco. As mensagens apontam para pagamentos à empresa Maridt, da qual Toffoli admite ser sócio, relacionados à venda de uma participação no resort Tayayá. Paralelamente, uma decisão atípica no Tribunal de Contas da União (TCU) restringiu o acesso do Banco Central (BC) a um processo de fiscalização ligado ao caso, elevando o sigilo para evitar vazamentos. Essas revelações aumentam a pressão por suspeição de Toffoli e questionam a transparência nas investigações.

Imagem: Wilton Junior | Estadão

O relatório da PF, com cerca de 200 páginas, foi entregue em 9 de fevereiro de 2026 ao presidente do STF, ministro Edson Fachin, pelo diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues. As mensagens trocadas entre Vorcaro e seu cunhado, Fabiano Zettel – pastor e suposto operador financeiro do banqueiro, preso temporariamente na Operação Compliance Zero – discutem transferências para a Maridt, empresa familiar de Toffoli. Os valores mencionados chegam a R$ 20 milhões, segundo fontes da investigação, e estariam ligados à venda de 33% do resort Tayayá, em Ribeirão Claro (PR), para o fundo Arleen, gerido pela Reag Investimentos e com Zettel como acionista.

A Maridt, uma sociedade anônima de capital fechado com capital social declarado de R$ 150 e endereço em Marília (SP), na casa de um irmão de Toffoli, vendeu sua fatia no resort em duas etapas: parte para o Arleen em setembro de 2021 e o restante para a PHD Holding em fevereiro de 2025. Documentos da Receita Federal e registros societários confirmam que a empresa é administrada por parentes do ministro, incluindo irmãos José Eugênio e Maria Helena Dias Toffoli, mas Toffoli é sócio oculto, sem aparição em registros públicos. O resort Tayayá, avaliado em dezenas de milhões, foi adquirido por fundos ligados ao Master, que é investigado por emitir R$ 12 bilhões em títulos falsos, considerada pela PF como potencialmente “a maior fraude bancária da história do Brasil”.

Em nota divulgada por seu gabinete, Toffoli admitiu integrar o quadro societário da Maridt há anos e receber dividendos da venda, mas negou qualquer repasse direto de Vorcaro ou Zettel, afirmando que as transações foram a valor de mercado e declaradas à Receita Federal. “O ministro Dias Toffoli faz parte do quadro societário, sendo a referida empresa administrada por parentes. Jamais recebeu qualquer valor de Daniel Vorcaro ou de seu cunhado Fabiano Zettel”, diz o texto. Toffoli também contestou a legitimidade da PF para pedir sua suspeição, argumentando que cabe ao STF decidir sobre impedimentos de ministros.

No TCU, o ministro Jhonatan de Jesus alterou a confidencialidade do processo que fiscaliza a atuação do BC na liquidação do Master, passando de “sigiloso” para “sigiloso com exigência de autorização específica para leitura”. A medida, tomada em 5 de fevereiro de 2026, restringiu o acesso automático do BC, que agora precisa de permissão do relator para consultar os autos, com o objetivo de prevenir vazamentos. Em nota, o TCU esclareceu que o BC terá acesso “sempre que necessário”, mas a decisão gerou críticas de entidades financeiras, que a veem como obstáculo à transparência. O senador Renan Calheiros (MDB-AL) questionou a medida no plenário, chamando-a de “incomum e preocupante”.

Os impactos vão além do jurídico. Politicamente, as revelações intensificam a pressão por afastamento de Toffoli, com possibilidade de votação no plenário do STF sobre sua permanência como relator. Socialmente, abalam a confiança nas instituições: uma pesquisa do Datafolha de janeiro de 2026 indicava que 45% dos brasileiros já viam o STF como “pouco confiável”, e especialistas preveem agravamento com escândalos envolvendo ministros. Juridicamente, o caso expõe falhas no sistema de controle de conflitos de interesse, podendo levar a reformas no Código de Processo Penal para fortalecer mecanismos de suspeição em altas cortes.

Enquanto Fachin analisa o pedido de suspeição, a Procuradoria-Geral da República (PGR) solicitou acesso ao relatório para avaliar indícios de crimes. Vorcaro, principal investigado, teve prisão preventiva negada por Toffoli, o que alimenta críticas. O desfecho pode redefinir equilíbrios no Judiciário brasileiro, em um momento de escrutínio público crescente.

Por Alexsandro Assis

By contato@gazetametropolitano.com

Nascido em 1977, em Jundiaí, e cresceu em Cajamar, Alexsandro Assis é capelão, mentor e marceneiro com alma artesã. Formado em marcenaria, lecionou o oficio em Cajamar e, movido pela paixão por história e fé cristã, estuda arqueologia bíblica e teologia. Professor de computação e estudante de Tecnologia da Informação, também é jornalista, fundador do grupo Cajamar Quociente e do portal Gazeta Metropolitana, onde aborda notícias regionais e globais com perspectiva conservadora. Guiado por fé, estoicismo e amor transformador, Alexsandro inspira vidas com seu lema "Viva com propósito". Acompanhe-o no Instagram (@assis_alexsandro) ou em gazetametropolitana.com.

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