Programação gratuita ao ar livre une tradições nordestinas, amazônicas e contemporâneas em shows que celebram a diversidade musical do país
Santo André, SP – Os sábados de janeiro no Sesc Santo André prometem transformar a rotina da cidade em um festival de sons e culturas, com uma série de shows gratuitos ao ar livre que exploram a rica tapeçaria musical brasileira. De artistas locais do ABC paulista a representantes do Nordeste e da Amazônia, a programação reúne quatro apresentações que atravessam ritmos tradicionais como forró, carimbó e baião, misturando-os a influências modernas de pop, rock e eletrônica. Todas as performances acontecem na Lanchonete Externa da unidade, sempre às 16h, convidando o público a um encontro coletivo e dançante que reforça a pluralidade da música nacional.

A iniciativa, parte da agenda cultural do Sesc São Paulo, destaca a vitalidade da produção independente e regional, promovendo artistas que dialogam com raízes culturais profundas enquanto inovam em suas criações. “É uma oportunidade de conectar tradições ancestrais com expressões contemporâneas, mostrando como a música brasileira se renova sem perder sua essência”, explica um representante do Sesc, enfatizando o caráter acessível e inclusivo dos eventos. Com entrada gratuita e localização estratégica na Vila Guiomar, a série atrai não só moradores locais, mas também visitantes de toda a região metropolitana, fomentando o turismo cultural e o lazer comunitário em um mês tipicamente marcado por férias e calor.
A abertura, no dia 10 de janeiro, fica a cargo do cantor e compositor andreense Rodrigo Régis, com o show “Brasilidades”. Com mais de 20 anos na cena independente do ABC, Régis constrói um repertório que une suas composições originais, como “Amendoeira” e “Dance Comigo”, a clássicos de mestres como Caetano Veloso, Gilberto Gil, Alceu Valença e Novos Baianos. O espetáculo ainda incorpora produções recentes de artistas como Gilsons e Duda Beat, costurando ijexá, carimbó, baião, pop e rock em um diálogo afetivo. “Minha música é um reflexo da minha formação, misturando o que ouvi na infância com o que vivo hoje”, conta Régis em entrevistas recentes, destacando como o show celebra memórias coletivas e pessoais.
No sábado seguinte, 17 de janeiro, o grupo Forró do Assaré assume o palco com um baile que expande os horizontes do forró tradicional. Formado exclusivamente por mulheres, o ensemble combina flauta, clarinete e três vozes ao clássico trio de sanfona, zabumba e triângulo, criando arranjos inovadores para xotes, baiões, arrasta-pés e frevos. O repertório homenageia gigantes como Luiz Gonzaga e Dominguinhos, reinterpretando suas obras com leveza e precisão. “Queremos honrar a tradição, mas também experimentar, mostrando que o forró pode ser fresco e atual”, afirma uma das integrantes, sublinhando o empoderamento feminino na preservação e evolução do gênero nordestino.
A Amazônia ganha destaque no dia 24 de janeiro, com o encontro “Carimbodélic convida Mete Ficha”. O projeto de Antonio Maria Novaes, o Carimbodélic, explora texturas eletrônicas, loops ao vivo e o timbre único do banjo amazônico, enquanto o Mete Ficha resgata o carimbó ancestral, guiado pelo curimbó e pelas memórias dos mestres comunitários. Essa fusão de abordagens – uma moderna e outra raiz – evidencia a resiliência de um ritmo originário das comunidades indígenas e quilombolas. “É sobre reinventar sem esquecer as origens”, reflete Novaes, apontando para a importância cultural do carimbó como patrimônio imaterial brasileiro.
Encerrando o mês, em 31 de janeiro, a Banda Cataia traz a energia da Ilha do Cardoso para Santo André. Nascido entre amigos em um ambiente natural, o grupo mescla maracatu, coco, bumba meu boi, carimbó, baião e ciranda com toques de rock, jazz e MPB. Essa mistura reflete uma identidade forjada em paisagens litorâneas e influências globais, resultando em performances vibrantes e coletivas. “Nossa música é como uma conversa entre amigos: espontânea e cheia de camadas”, descreve um membro da banda, ilustrando como o show fecha o ciclo de janeiro com uma nota de integração cultural.
Essa programação não só enriquece o calendário cultural de Santo André, mas também contribui para o debate sobre a diversidade musical no Brasil, em um momento em que o setor cultural busca recuperação pós-pandemia. Com capacidade para receber centenas de espectadores, os shows incentivam o uso de espaços públicos e promovem a inclusão social, alinhando-se à missão do Sesc de democratizar o acesso à arte. Para mais detalhes sobre ingressos (embora gratuitos, sujeitos a lotação) e outras atividades, acesse sescsp.org.br/santoandre.
O Sesc Santo André está localizado na Rua Tamarutaca, 302, Vila Guiomar. Informações pelo telefone (11) 4469-1200. Estacionamento: R$ 7 a primeira hora e R$ 2 adicionais para credenciados; R$ 14 a primeira e R$ 3,50 adicionais para outros.
Por Alexsandro Assis

