Projeto CozinhAlimento forma 180 alunos e impulsiona autonomia feminina por meio de cursos gratuitos
Cajamar (SP) – Em um galpão simples no centro da cidade, o aroma de temperos frescos se mistura ao som de panelas e risadas. Ali, no Centro Profissionalizante de Gastronomia Solidária, centenas de pessoas – a maioria mulheres – estão trocando incertezas por certificados e receitas por independência. O projeto CozinhAlimento, parceria entre o Fundo Social de Solidariedade de Cajamar e a Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, já realizou seis cursos de capacitação e formou 180 alunos desde o início das atividades.

O lead do impacto é imediato: cada aluno que sai com o diploma em mãos carrega não apenas técnicas culinárias, mas a possibilidade concreta de sustentar a família e empreender. “Eu chegava em casa e só pensava em como pagar as contas. Hoje, vendo bolos e salgados, consigo planejar o futuro dos meus filhos”, conta Maria dos Santos, 38 anos, formada na turma de panificação de 2024. Como ela, dezenas de ex-alunas já abriram pequenos negócios ou conseguiram vagas em restaurantes locais.
Os números impressionam pela consistência. Foram seis edições do curso, com turmas de até 30 alunos cada, totalizando 180 certificados entregues. As aulas, gratuitas, duram em média três meses e abrangem desde noções básicas de higiene alimentar até técnicas avançadas de confeitaria e gestão de microempresas. O foco é duplo: capacitação técnica e estímulo ao empreendedorismo.
A iniciativa nasceu da necessidade de combater o desemprego e a vulnerabilidade social em Cajamar, cidade da Grande São Paulo com cerca de 80 mil habitantes. “A gastronomia é uma porta de entrada rápida para o mercado de trabalho. Com R$ 200 em insumos, uma pessoa pode começar a vender e gerar renda no mesmo mês”, explica a coordenadora do Fundo Social, Ana Paula Oliveira. O projeto também fornece kits iniciais de utensílios para os formados, reduzindo barreiras financeiras.
Depoimentos reforçam a mudança de rota. “Eu era doméstica e ganhava R$ 1,2 mil. Hoje, faturo o dobro com encomendas de marmitas fit”, diz Jéssica Lima, 29 anos, que abriu uma página no Instagram para divulgar seus pratos. Outra aluna, Rosângela Ferreira, 45 anos, montou uma barraca de pastéis em feiras livres e já contratou uma ajudante – também ex-aluna do curso.
O CozinhAlimento não para. Novas turmas estão previstas para o primeiro semestre de 2026, com inscrições abertas pelo site da Prefeitura de Cajamar e redes sociais do Fundo Social. Interessados devem acompanhar os editais, que priorizam moradores em situação de vulnerabilidade.
Em um país onde o desemprego ainda atinge 7,8% da população economicamente ativa (IBGE, 3º trimestre de 2025), iniciativas como essa mostram que aprendizado prático pode ser o ingrediente secreto para a transformação social. Em Cajamar, o sonho não só saiu do papel – ganhou forma, sabor e futuro.
Por Redação do GazetaMetropolitana.com

