Evento inter-religioso recria marco histórico de 1975 e homenageia vítimas da ditadura militar, com presença de vice-presidente e líderes culturais

São Paulo, 24 de outubro de 2025 – Em um momento de reflexão sobre a memória coletiva do Brasil, a Catedral da Sé, em São Paulo, será palco neste sábado (25) de uma cerimônia inter-religiosa que marca os 50 anos do assassinato do jornalista Vladimir Herzog sob a ditadura militar. O evento “50 Anos de Vlado” reunirá autoridades políticas, líderes religiosos, familiares e artistas para recriar a histórica celebração ecumênica de 1975, um ato de resistência que simbolizou a luta pela democracia e pelos direitos humanos. Organizado pelo Instituto Vladimir Herzog e pela Comissão Arns, a programação destaca a importância de preservar a memória das vítimas da repressão e reforçar os pilares democráticos do país.

Foto: Alexsandro Assis

O assassinato de Herzog, ocorrido em 25 de outubro de 1975 nas dependências do DOI-Codi em São Paulo, foi oficialmente registrado como suicídio pelas autoridades militares, mas amplamente contestado como um crime de Estado. Jornalista da TV Cultura, Herzog foi detido por supostas ligações com o Partido Comunista Brasileiro e torturado até a morte, desencadeando protestos que aceleraram o fim da ditadura. A cerimônia original, realizada na mesma Catedral da Sé oito dias após sua morte, reuniu milhares de pessoas de diferentes credos e se tornou um ícone da oposição ao regime, com participação de figuras como o cardeal Dom Paulo Evaristo Arns e o rabino Henry Sobel.

Nesta recriação, o evento contará com a presença de nomes proeminentes da política e da sociedade civil. O vice-presidente Geraldo Alckmin, que assumirá interinamente a presidência da República durante o ato, encabeça a lista de convidados, ao lado da ministra-chefe da Secretaria de Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann. Outros participantes incluem a deputada federal Luiza Erundina, o ex-ministro José Dirceu, o vereador Eduardo Suplicy, jornalistas como Miriam Leitão, Fernando Morais e Juca Kfouri, o ex-jogador Walter Casagrande, a presidente da Comissão Especial sobre Mortos e Desaparecidos Políticos, Eugênia Gonzaga, e a presidente da Corte Interamericana de Direitos Humanos, Nancy Hernández López.

Do âmbito religioso, destacam-se o arcebispo de São Paulo, Dom Odilo Pedro Scherer; a reverenda Anita Wright, filha do pastor Jaime Wright, que oficiou a cerimônia de 1975; e o rabino Rav Uri Lam. Essa diversidade reflete o caráter ecumênico do evento, unindo católicos, protestantes e judeus em uma mensagem de unidade contra o autoritarismo.

Além das falas e homenagens, a programação inclui apresentações culturais que prometem emocionar o público. Um dos momentos mais aguardados é a leitura de uma carta escrita por Zora Herzog, mãe de Vlado, interpretada pela renomada atriz Fernanda Montenegro. A carta, originalmente lida na cerimônia de 1975, expressa o luto e a indignação da família, servindo como ponte entre passado e presente.

Familiares de Herzog, como seu filho Ivo Herzog, diretor do Instituto Vladimir Herzog, enfatizam a relevância atual do evento. “Em tempos de polarização e ameaças à democracia, lembrar Vlado é reafirmar que a liberdade de imprensa e os direitos humanos são inegociáveis”, disse Ivo em declaração recente à imprensa. A Comissão Arns, por sua vez, destaca que o ato não é apenas uma comemoração, mas um alerta contra retrocessos, especialmente após recentes debates sobre anistia a envolvidos na ditadura.

Foto: Alexsandro Assis

O evento é aberto ao público e espera atrair milhares de participantes, com transmissão ao vivo pelas redes sociais do Instituto Vladimir Herzog. Para os organizadores, ele representa um chamado à sociedade para vigiar as instituições democráticas, evitando que erros do passado se repitam.

Serviço: Evento inter-religioso “50 Anos de Vlado” Data: Sábado, 25 de outubro, às 19h Local: Catedral da Sé, Praça da Sé, Centro, São Paulo Entrada gratuita

Por Redação do GazetaMetropolitana.com

By contato@gazetametropolitano.com

Nascido em 1977, em Jundiaí, e cresceu em Cajamar, Alexsandro Assis é capelão, mentor e marceneiro com alma artesã. Formado em marcenaria, lecionou o oficio em Cajamar e, movido pela paixão por história e fé cristã, estuda arqueologia bíblica e teologia. Professor de computação e estudante de Tecnologia da Informação, também é jornalista, fundador do grupo Cajamar Quociente e do portal Gazeta Metropolitana, onde aborda notícias regionais e globais com perspectiva conservadora. Guiado por fé, estoicismo e amor transformador, Alexsandro inspira vidas com seu lema "Viva com propósito". Acompanhe-o no Instagram (@assis_alexsandro) ou em gazetametropolitana.com.

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