Com atendimento multidisciplinar, estrutura especializada e funcionamento 24 horas, equipamento do Governo de São Paulo já impactou milhares de famílias e amplia rede de inclusão pelo estado
SÃO PAULO – Há um ano, o Governo do Estado de São Paulo inaugurava um espaço que mudaria a realidade de milhares de famílias atípicas. Em 4 de junho de 2025, o Centro TEA Paulista abriu as portas com a missão de oferecer acolhimento, orientação e atendimento especializado às pessoas com Transtorno do Espectro Autista (TEA). Doze meses depois, o equipamento se consolidou como uma das mais importantes referências em inclusão, desenvolvimento e apoio às famílias paulistas.
Mais do que um centro de serviços, o local tornou-se um ambiente de transformação humana, onde histórias de superação, avanços no desenvolvimento e fortalecimento dos vínculos familiares passaram a fazer parte da rotina de quem busca suporte especializado.
Desde sua inauguração, o Centro TEA Paulista já realizou milhares de atendimentos, promovendo não apenas assistência direta às pessoas autistas, mas também orientação, capacitação e apoio emocional aos familiares e cuidadores.
Histórias que revelam o impacto do acolhimento
Entre os inúmeros relatos que marcaram o primeiro ano do Centro TEA Paulista está o de Camila Alves da Silva Vital, mãe de Artur Henrique Vital Lima. Ela conheceu o equipamento por meio das redes sociais e decidiu procurar ajuda para o filho, que apresentava dificuldades de comunicação e interação social.

Segundo Camila, as mudanças foram perceptíveis em pouco tempo.
“Hoje eu entendo melhor a condição do meu filho e também recebo apoio. Ele aprendeu coisas que antes não fazia, como brincar e compartilhar brinquedos com outras crianças. É emocionante perceber essa evolução”, relatou.
Outro exemplo é o de Regina da Silva Lima, que frequenta o espaço há quase um ano ao lado do filho. Ela destaca que a ausência de atividades adequadas para crianças autistas sempre foi um desafio para a família.
“Hoje ele participa de quatro tipos de acompanhamento. Houve melhora na fala, na alimentação e na interação social. Quando chegamos aqui, ele corre para abraçar os profissionais. O Centro já faz parte da nossa rotina”, contou.
Atendimento que vai além do tratamento
Criado pela Secretaria de Estado dos Direitos da Pessoa com Deficiência (SEDPcD), o Centro TEA Paulista integra as ações do Plano Estadual Integrado para Pessoas com Transtorno do Espectro do Autismo (PEIPTEA), iniciativa que reúne esforços das áreas de saúde, educação e desenvolvimento social.
A estrutura oferece atendimento terapêutico individual e em grupo, suporte psicológico, orientação jurídica e social, oficinas esportivas, atividades culturais, arteterapia, biblioteca especializada, salas sensoriais e programas voltados à inclusão no mercado de trabalho.
Para o secretário de Estado dos Direitos da Pessoa com Deficiência, Marcos da Costa, o equipamento representa um marco na construção de uma rede de apoio permanente.
“É um equipamento voltado para a pessoa com autismo e seus familiares, oferecendo acolhimento, orientação, empregabilidade e diversos serviços. Também atua como um centro de fortalecimento da rede de apoio em todo o território paulista”, destacou.
Evolução que emociona profissionais e familiares
O impacto positivo também é observado pelos profissionais que atuam diariamente no local.
A educadora física Fernanda Santana de Freitas relembra o caso de um adolescente de 15 anos, com nível 3 de suporte, que chegou ao Centro apresentando extrema dependência da mãe e forte apego ao tablet.
Sem acompanhamento especializado, o jovem havia deixado de falar ao longo do tempo. Após ingressar nas atividades do Centro, passou a demonstrar avanços significativos.
“Hoje ele participa da oficina de basquete, interage com os profissionais e apresenta muito mais autonomia. É uma transformação que faz diferença tanto para ele quanto para sua mãe”, relatou.
Números que demonstram a dimensão do trabalho
Ao completar um ano de funcionamento, os resultados refletem a importância do investimento em políticas públicas voltadas à inclusão.
Atendimentos realizados
- 3.430 pessoas atendidas;
- 3.090 atendimentos no Centro TEA Paulista;
- 340 atendimentos no Centro de Cidadania da Pessoa com Deficiência.
Documentação e identificação
- 167.723 CIPTEAs aprovadas;
- 77.447 identificações veiculares emitidas.
Oficinas e atividades
- 739 turmas ofertadas;
- 225 oficinas de arteterapia;
- 284 oficinas esportivas;
- 230 oficinas pedagógicas.
Capacitação profissional
- Formações realizadas em 21 municípios;
- Participação de 2.441 profissionais.
Atendimento 24 horas amplia suporte às famílias
Desde janeiro de 2026, o Centro TEA Paulista passou a oferecer suporte 24 horas por dia, ampliando significativamente o acesso das famílias aos serviços especializados.
Entre os atendimentos disponíveis estão:
- Psicoterapia breve;
- Rodas de conversa e grupos de escuta;
- Mediação de conflitos;
- Orientação jurídica e social;
- Emissão da CIPTEA e identificação veicular;
- Biblioteca especializada física e digital;
- Oficinas de arte, cultura e leitura;
- Atividades esportivas adaptadas;
- Capacitação para familiares, cuidadores e profissionais;
- Programas de empregabilidade inclusiva.
A iniciativa busca garantir que pessoas autistas e suas famílias encontrem suporte contínuo, independentemente do horário ou da demanda apresentada.
Expansão levará atendimento para todo o estado
O sucesso da unidade da capital impulsiona agora uma nova etapa do projeto. O Governo de São Paulo trabalha para implantar Centros TEA Paulista e Centros de Cidadania da Pessoa com Deficiência em todas as 16 regiões administrativas do estado.
A primeira unidade do programa de interiorização está em fase final de implantação na cidade de Bauru, com inauguração prevista para o final de junho.
Com investimento de R$ 12 milhões ao longo de dois anos, o espaço contará com atendimento presencial e remoto, capacitação de profissionais municipais, incentivo à pesquisa sobre autismo, atividades esportivas, culturais e programas de inclusão social.
Segundo Marcos da Costa, a expansão representa um avanço histórico para a política estadual de inclusão.
“O Governo de São Paulo está estruturando uma rede permanente de apoio, acolhimento e desenvolvimento voltada às pessoas com TEA, às pessoas com deficiência e às mães atípicas em todas as regiões do estado”, afirmou.
Um ano de portas abertas para a inclusão
Ao completar seu primeiro aniversário, o Centro TEA Paulista celebra mais do que números expressivos. Celebra histórias, conquistas e a construção de uma rede de apoio que tem devolvido esperança, autonomia e qualidade de vida a milhares de famílias.
Em um cenário onde o acesso à informação, ao acolhimento e aos serviços especializados ainda representa um desafio para muitas pessoas, o equipamento se consolida como símbolo de inclusão, respeito e oportunidades para a comunidade autista em São Paulo.
Por Alexsandro Assis
