Sargento criou vínculo com a criança durante o atendimento e conseguiu obter informações que ajudaram os policiais a localizar a família; caso ocorreu dois dias após outra criança ser encontrada em situação semelhante

Um menino de seis anos, diagnosticado com Transtorno do Espectro Autista (TEA), foi encontrado pela Polícia Militar nesta quarta-feira (2), em Carapicuíba, na Grande São Paulo, após sair sozinho de casa e embarcar em um ônibus. Os pais não haviam percebido que a criança tinha deixado a residência.

O desfecho foi possível graças à atenção do motorista do coletivo, que percebeu que o menino estava desacompanhado e acionou o 190. Uma equipe do 33º Batalhão de Polícia Militar passava pela região quando foi abordada pelo condutor.

Ao entrar no ônibus, o 3º sargento Ronaldo da Silva encontrou o menino sentado no fundo do veículo. Como a criança apresentava dificuldade para se comunicar e não conseguia informar onde morava, o policial recorreu a estratégias aprendidas em treinamentos para atendimento de pessoas no espectro autista.

Polícia conquista confiança do menino durante atendimento

Em vez de pressionar a criança com perguntas sucessivas, o sargento se abaixou para ficar na altura do rosto do menino e iniciou uma conversa tranquila, utilizando frases curtas e pausadas.

A abordagem ajudou a reduzir o medo e a tensão.

“Ele estava muito assustado. Fomos ganhando a confiança dele. Depois de um certo momento, acabamos brincando.”

Segundo o policial, a interação evoluiu para uma brincadeira de esconde-esconde dentro do próprio ônibus. A estratégia criou um ambiente de maior segurança para a criança.

“Eu brinquei com ele de esconde-esconde no ônibus e falava que a gente ia contar quantos bancos tinha no ônibus.”

Com o vínculo estabelecido, o menino começou a fornecer informações importantes. Ele conseguiu dizer o próprio nome e mencionar os nomes da mãe e do pai.

“Com o passar do tempo, viramos amigos. Isso acabou nos ajudando e ajudando ele.”

Informações dadas pela criança ajudaram a encontrar a família

A partir das poucas informações obtidas durante a conversa, os policiais iniciaram uma busca para identificar onde o menino morava.

A criança contou que o pai trabalhava em uma empresa de ônibus. A equipe passou então a cruzar essa informação com outros dados disponíveis.

O menino também forneceu pistas sobre a região onde vivia. Em determinado momento, ao passar por uma área com vários conjuntos residenciais, reconheceu o local e começou a apontar para os prédios.

Com uma chave e um dispositivo que estavam com a criança, os policiais fizeram tentativas de acesso até conseguirem identificar o residencial onde a família morava.

Cerca de 40 minutos depois, a equipe encontrou a mãe.

Ela estava procurando pelo filho e, ao perceber que ele havia sido localizado, teve uma reação marcada pelo alívio e pela emoção.

“Ela praticamente já foi reconhecendo o filho, chorando e pegando ele no colo. Foi um reencontro muito emocionante”, relatou o sargento.

O menino foi levado ao Conselho Tutelar acompanhado da mãe. Depois do atendimento, foi entregue à família em segurança.

Calma e comunicação adequada fizeram diferença

O caso chama atenção não apenas pelo risco enfrentado pela criança ao sair sozinha de casa e entrar em um transporte coletivo, mas também pela importância de uma abordagem adequada durante uma ocorrência envolvendo uma pessoa com TEA.

Entre as orientações utilizadas pelos policiais estão manter uma comunicação tranquila, falar de maneira pausada e posicionar-se na altura da pessoa atendida. A intenção é reduzir estímulos e facilitar a construção de confiança.

O sargento Ronaldo destacou que o menino chegou a ficar agitado em determinado momento e tentou deixar o ônibus.

“A gente tem que ter bastante calma, porque em certo momento ele também ficou um pouco agitado. Ele queria descer do ônibus, e ali é uma avenida muito perigosa.”

A intervenção do policial, somada à colaboração das pessoas que estavam no coletivo, ajudou a manter o menino em segurança até que sua família fosse localizada.

Segundo caso envolvendo criança desacompanhada em apenas dois dias

A ocorrência em Carapicuíba aconteceu apenas um dia depois de outro caso semelhante registrado na região metropolitana de São Paulo.

Na manhã de terça-feira (1º), uma menina de 10 anos foi encontrada por policiais militares depois de embarcar no ônibus errado enquanto seguia para a escola, no bairro do Tremembé, na Zona Norte da capital.

Um passageiro percebeu que a menina estava desacompanhada e acionou o 190. A equipe acolheu a criança e, com apoio do policiamento territorial e da Cabine de Desaparecidos do Centro de Operações da PM (Copom), utilizou as informações fornecidas por ela para identificar a escola.

A direção da unidade conseguiu localizar a mãe e comunicar o que havia acontecido, orientando-a a comparecer à escola.

Os dois episódios reforçam como a atenção de motoristas, passageiros, funcionários e moradores pode ser decisiva diante de uma criança desacompanhada. Em situações assim, reconhecer rapidamente que algo está fora do habitual e buscar ajuda pode fazer diferença para evitar que uma ocorrência se transforme em uma situação ainda mais grave.

No caso do menino de Carapicuíba, a combinação entre a percepção do motorista, o acionamento da Polícia Militar e uma abordagem baseada em acolhimento e paciência permitiu que uma situação de tensão terminasse com o reencontro da criança com a família.

Por Alexsandro Assis

By contato@gazetametropolitano.com

Nascido em 1977, em Jundiaí, e cresceu em Cajamar, Alexsandro Assis é capelão, mentor e marceneiro com alma artesã. Formado em marcenaria, lecionou o oficio em Cajamar e, movido pela paixão por história e fé cristã, estuda arqueologia bíblica e teologia. Professor de computação e estudante de Tecnologia da Informação, também é jornalista, fundador do grupo Cajamar Quociente e do portal Gazeta Metropolitana, onde aborda notícias regionais e globais com perspectiva conservadora. Guiado por fé, estoicismo e amor transformador, Alexsandro inspira vidas com seu lema "Viva com propósito". Acompanhe-o no Instagram (@assis_alexsandro) ou em gazetametropolitana.com.

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