Inspirado em uma visita ao bisavô na Bahia, Heitor Oliveira transformou uma lembrança da infância em livro e agora leva sua história para um dos maiores eventos literários do país

Uma lembrança vivida durante uma viagem à Bahia ganhou forma de história, virou livro e agora chega a um dos principais eventos literários do Brasil. Aos 10 anos, Heitor Oliveira, aluno da EMEB Odir Garcia, unidade do Colégio do Futuro de Cajamar, será lançado como jovem escritor durante a 28ª Bienal Internacional do Livro de São Paulo.

Autor de “Céu de Jacas”, publicado pela Editora Pulo do Gato e ilustrado pela artista Amora Moreira, Heitor participa do lançamento da obra no dia 13 de setembro, na capital paulista. A história começou a ser escrita em 2024, depois de uma visita ao bisavô, no interior da Bahia.

Para o menino, a experiência foi tão marcante que acabou se transformando em inspiração literária.

“Eu pensei assim, por que não fazer um texto falando sobre essa experiência muito boa, espetacular, que gerou muitas lembranças? Eu escrevi. Aí surgiu Céu de Jacas”, conta Heitor.

Da lembrança no sítio para as páginas de um livro

A ideia nasceu de uma experiência simples, mas carregada de significado. Durante a visita ao bisavô, Heitor vivenciou momentos que ficaram registrados em sua memória. De volta para casa, decidiu transformar aquelas lembranças em palavras.

O resultado foi uma narrativa que aborda temas como infância, afeto, neurodivergência e diferentes maneiras de perceber o mundo, tendo como eixo a relação entre um menino e seu bisavô.

A trajetória de “Céu de Jacas” também mostra como experiências do cotidiano podem se transformar em produção artística quando encontram espaço, incentivo e alguém disposto a acreditar no potencial de uma criança.

Professor percebeu talento de Heitor ainda no 3º ano

O potencial do jovem escritor chamou a atenção do professor Everton Dias, que conheceu Heitor quando ele cursava o 3º ano, em 2024.

O educador percebeu rapidamente uma característica que diferenciava o estudante: a facilidade para contar histórias e transformar ideias em narrativas, tanto na comunicação oral quanto na escrita.

“Fiquei impressionado com sua oralidade e capacidade de contar histórias”, relata Everton.

Atualmente, o professor voltou a acompanhar Heitor, que está no 5º ano. Nesse intervalo, o estudante também conquistou destaque em um concurso literário realizado em Cajamar.

O incentivo recebido no ambiente escolar foi importante para que a habilidade deixasse de ser apenas uma característica percebida em sala de aula e passasse a ocupar espaço também no universo literário.

Incentivo à leitura começou dentro de casa

A relação de Heitor com os livros começou ainda na primeira infância. Segundo o próprio menino, a mãe, Daiane Nascimento, teve papel importante nesse processo ao criar o hábito da leitura dentro de casa.

“Minha mãe sempre leu pra mim, da hora que eu ia dormir. Isso que me deu uma motivação pra escrever. Comecei a escrever com quatro aninhos”, conta.

Foi Daiane quem encaminhou o texto de “Céu de Jacas” para a Editora Pulo do Gato. A obra acabou sendo publicada e ganhou as ilustrações de Amora Moreira.

A história de Heitor é também marcada pela neurodivergência. Autista, o menino encontrou na literatura uma forma de expressar experiências, sentimentos e percepções sobre o mundo.

Mais do que apresentar um jovem autor, a publicação coloca em evidência a importância de criar ambientes em que diferentes formas de expressão possam ser reconhecidas e desenvolvidas.

Livro escrito em escola pública de Cajamar chega à Bienal

A publicação representa ainda um momento significativo para a comunidade escolar de Cajamar. A história que começou a ser construída por um estudante da rede municipal agora será apresentada em um dos maiores encontros literários do país.

O lançamento de “Céu de Jacas” está marcado para 13 de setembro, das 14h30 às 16h, no estande 15 da Editora Pulo do Gato, na Travessa Literária, durante a 28ª Bienal Internacional do Livro de São Paulo.

A chegada do livro à Bienal amplia o alcance de uma história que começou em uma experiência familiar, passou pela escrita de uma criança e encontrou na escola um espaço para ser incentivada.

Aos 10 anos, Heitor dá um passo que muitos escritores levam anos para alcançar: ver uma história criada por ele chegar às mãos dos leitores.

E, para quem acompanhou essa trajetória desde o início, o lançamento representa mais do que a publicação de um livro. É a prova de que uma lembrança de infância, quando encontra incentivo e liberdade para ganhar voz, pode atravessar os muros da escola e alcançar novos leitores.

Por Alexsandro Assis

By contato@gazetametropolitano.com

Nascido em 1977, em Jundiaí, e cresceu em Cajamar, Alexsandro Assis é capelão, mentor e marceneiro com alma artesã. Formado em marcenaria, lecionou o oficio em Cajamar e, movido pela paixão por história e fé cristã, estuda arqueologia bíblica e teologia. Professor de computação e estudante de Tecnologia da Informação, também é jornalista, fundador do grupo Cajamar Quociente e do portal Gazeta Metropolitana, onde aborda notícias regionais e globais com perspectiva conservadora. Guiado por fé, estoicismo e amor transformador, Alexsandro inspira vidas com seu lema "Viva com propósito". Acompanhe-o no Instagram (@assis_alexsandro) ou em gazetametropolitana.com.

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